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Minimalismos

Peguei meu cavaquinho e decidi fazer um samba. Mas não um samba bonitinho, decidi fazer um samba roots mesmo.

Chamei quem samba miudinho e também que versa direitinho.
Carlinhos, Martinho, Pagodinho, Almirzinho, Arlindinho, Barberinho, Neguinho, Paulinho, Marquinhos, Toninho e de SP veio o Luizinho, Chapinha e Sombrinha.

O samba começou na cozinha, em Lá (menor é claro).

Rolaram sambas de Nelson Cavaquinho, Miltinho, Vassourinha e Casquinha.
A ordem era um samba miudinho, por isso não deixaram entrar Henricão, Murilão, Paulão, Geraldo Babão, Leci Brandão, Jorge Aragão, Maurição e Yeda Maranhão, que vinham com Surdão e Violão para cantar Jamelão.

Até de manhãzinha entoamos sambas, pagodes e marchinhas devagar, devagar, devagarinho.



A chama não se apagou


A pérola negra passou por aqui



Jóias raras. Diamante, zafira, esmeralda, turmalina ou mesmo rubi.
Não é todo domingo que fazemos um pagode com os bambas 'anônimos' da antiga.
Nesse último domingo, em um aniversário de criança, tivemos a oportunidade de fazer tocar ao lado de Vitório, um sambista de longa data, da zona Sul Paulista, que está em atividade até hoje.
Estamos numa chácara em alguma esquina do mundo quando ele perguntou se tocamos um samba. Respondi que tinha alguns instrumentos no carro, mas que o banjo estava em casa.
Pronto, adivinha se ele não fez nós irmos buscar o banjo para armar o pagode?
Mas valeu a pena, até o som do pandeiro dele é diferente e como cantaram Reinaldo e Luizinho SP:  o partido ele sempre domina e ensina que os versos vem do coração. 
Isso é o que eu mais gosto no samba: encontros inesperados e valiosos. Com aquele bamba da antiga, cantamos e tocamos por horas relembrando grandes sambas como este abaixo:



A chama não se apagou

Velho ditado - Duetos

Já ouvi de um amigo: Que música genial. Um monte de frases desconexas que foram encaixadas em rimas, musicadas e versadas. Com certeza velho ditado é uma das músicas que mais admiro. Malandreada, bem estruturada e cantada por Zeca Pagodinho e Dudu Nobre, não faltou nada. Este é o dueto da semana, curta, compartilhe, retuíte e cante junto.




A chama não se apagou

Aquele bamba da antiga mandou levar o pandeiro


Aquele bamba da antiga, mora em barraco de estuque, mas canta partido sem truque é o melhor versador.
Bamba da antiga é o dueto da vez, cantada por Luizinho SP e Reinaldo é mais um partido de altíssima qualidade aqui no Meu Samba é Roots.



A chama não se apagou

Me desculpe, Jobim


O nosso samba é tão rico a ponto de ter ramificações que ganham espaço, ganham o Brasil e ganham o mundo.
Na década de 50, por exemplo, surgia a bossa nova, um ritmo embalado pela levado do samba, mas com uma influência americana, que ganhava força na época, Alcione afirma que o samba é primo do jazz. O que deu um certo glamour ao novo estilo de grandes nomes como João, Vinícius, Tom e Luiz.
Entretanto, com toda a sinceridade, embora eu goste desse ar sofisticado da Bossa, prefiro falar de amor ou das coisas boas da vida, ao som cotidiano de um samba. Criado ao som de um cavaco, ninado no meu quintal, que sofre um pouco mais de preconceito, é verdade, mas não menos inteligente e influente que um piano de cauda.
Aliás, Jobim que me desculpe, mas o samba está na veia.


A chama não se apagou

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