Hoje, dia 11 de outubro de 2011, Angenor de Oliveira, o Cartola, completaria 103 anos de vida. Ele, que ficou famoso por composições eternas, sem pé nem cabeça, que são regravadas até hoje, teve seu primeiro disco gravado somente após os 50 anos. A seleção do mês é uma homenagem a esse grande ícone da música brasileira.
Preste muita atenção neste post, pois você verá este blogueiro se contradizer.
Quando iniciei o blog escrevi um post com a descrição do que seria um samba roots. Então, lá comentei sobre os tópicos que me ajudam a classificar um samba em raiz ou não ou, pelo menos, se merece minha indicação ou não.
Um desses tópicos é a boa letra. Nada de rimar amor com dor, como eu falo. Aliás outro fator tão importante quanto é: o tamanho das letras é proporcional à qualidade. Se for muito grande (como ESPELHO), deve te prender na história da música e, se for muito pequena (como TIVE SIM), deve ter uma mensagem interessante para passar.
E ai, exatamente, que está a questão.
Se você gosta de boas letras sabe que: você, você, você, você, você, você, você quer, NÃO DÁ!
Mas, ao procurar músicas para o programa meu samba é roots, me deparei com um samba do Neguinho da Beija-Flor que trata justamente disso: uma letra monoverbética (inventei uma palavra) que até passa uma mensagem, mas que pra virar um funk falta só uma batida mais forte.
Decidi colocá-la de samba roots da semana. E me deparei com um dilema: a música não tem uma grande letra, está longe de um clássico como Tive Sim, pra que deixá-la no blog?
Acho que o motivo que me fez ficar em dúvida é o mesmo que faz postá-la no blog.
Vou pedir segundas e terceiras opiniões, escute e veja se aprova:
Assim como a propaganda, o refrão é a alma do negócio. É a cabeça do samba. Para muitos é o que define se o samba vai vingar ou não. Aliás, por via das dúvidas, o samba enredo tem dois. Mas e quando o samba não tem refrão?
Se você nunca reparou existem, sim, sambas que dispensam essa ferramenta da esmagadora maioria dos compositores e talvez este seja um dos motivos para que reconheçamos a genialidade de Cartola.
Outros poetas já utilizaram esse recurso que, não é exclusivo de Cartola, mas é para poucos.
Tive sim, Minha e As rosas não falam são alguns exemplos das canções 'sem cabeça'.