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Ainda existe a malandragem?

O malandro que passava as noites na boemia, sem um vintém no bolso, bebendo e inventando desculpas para a mulher não o por para fora de casa, ainda existe? Ou é uma exclusividade do início do século passado?

Se quando você quando pensa malandro, logo imagina Moreira, Bezerra e Dicró, saiba que Moreira não bebia e Bezerra era muito mais politicamente correto do que parecia.

O famoso samba de Wilson Batista: "o bonde São Januário leva mais um operário, sou eu quem vou trabalhar" é uma versão adaptada, após o presidente questioná-lo sobre a letra "o bonde São Januário leva mais um operário eu quem não vou trabalhar".
Será que João Nogueira, se vivo, ainda cantaria que trabalho é besteira e o negócio é sambar?

Chico Buarque também se decepcionou quando chegou à Lapa atrás da malandragem e viu que já não se faziam malandros como outrora.




A chama não se apagou

Se soubesse rimar, faria um samba antigo


Mais uma postagem para falar da grandiosidade do samba.
No samba não existe time favorito, não existe cor, credo ou gênero.
Bezerra da Silva, o mais malandro do pedaço, morreu como um cristão convertido e pregando a Palavra. Você esperava por essa? Nem eu.
Zeca Pagodinho é botafoguense, Dudu Nobre é flamenguista e Dennis Campos é são paulino. Guardadas as devidas proporções musicais, os 3 amam ao samba do mesmo modo.
E o que dizer de quem não é sambista de ofício, mas ama e tem o aval para ser um sambista de carteirinha?
Muitos músicos gostam, se inspiram e regravam sambas, pois sabem que sem esse ritmo fantástico a música não fica completa. Só para citar alguns: Cássia Eller, Chico Buarque, O Rappa, Gabriel, o Pensador, Seu Jorge, Emicida... sem falar do Criolo, rapper expoente da zona sul paulista que é um dos idealizadores do Pagode da 27, no bairro do Grajaú.
Esses e muitos outros se pudessem fariam um samba antigo, onde reina a paz e todo mundo é amigo. Pois sabem que a chama não se apagará.





Na cadência do samba - Samba Roots da Semana


Me surpreendeu, ao procurar a letra dessa música, saber que Cássia Eller já havia gravado esse samba maravilhoso de Ataulfo Alves.
Se bem que a cantora roqueira sempre teve um pé no samba de Chico, Bezerra e, agora (ou melhor naquela época), Ataulfo Alves.
O samba roots da semana é de muito Bom Gosto, Na cadência do samba.



A chama não se apagou

O meu Guri - Samba Roots da Semana



Como retratar nosso rico cotidiano em apenas um samba?

Chico Buarque fez ainda melhor. Retratou a história de uma família de origem simples, levada pela 'facilidade' do crime, na visão de uma mãe com uma inocência surreal. O meu Guri é o Samba Roots da Semana.

Confira este belíssimo samba na não menos belíssima voz de Teresa Cristina.



A chama não se apagou!


Normas da Casa


Dessa vez foi demais, você trouxe a família da sua vizinha. O trecho desse samba de Zeca Pagodinho revela uma pergunta intrigante: o que fazer quando chega metade da torcida em casa para uma festa surpresa (na verdade é surpresa para você, que em geral é o último a saber e o menos empolgado, quando a bagunça é na sua casa)?

Nada melhor do que um churrasco, feijoada, ou festas sem motivo que acabam em samba. Mas Chico Buarque decidiu fazer o papel de promoter: armou uma verdadeira festança e canta a felicidade de receber um grupo de amigos famintos e com muita sede, já com tudo da festa na cabeça e dá as coordenadas para sua mulher.

No caso do almoço planejado por Chico, não havia muitas normas da casa e, mesmo com a dispensa vazia, a geladeira carregada de cerveja segurava a bronca ao lado da saída de emergência sugerida pelo cantor: vamos botar água no feijão.

A chama não se apagou

@camposdennis

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Mudou bastante, mas já foi uma família

Samba é cultura e samba é retrato de uma sociedade em determinado período. Traduzindo: o que antes era: "mas papai não quer deix...

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