Mário Sérgio Fundo de Quintal Morreu

Morre Mário Sérgio, grande nome da música

No centenário do centenário, perdemos um dos maiores nomes da história do samba, das últimas décadas. Mário Sérgio faleceu nesta madrugada, o vocalista que esteve a frente do fundo de quintal por quase 20 anos [durante este período ficou fora por alguns anos, para seguir carreira solo, mas retornou].
O vocalista lutava há algum tempo contra um linfoma e não resistiu ao tratamento. Mário Sérgio, 57, deixou duas filhas e ainda não há informações sobre o velório e enterro, que deverá acontecer em SP.


Um pouco da história de Mário Sérgio

Mário Sérgio é paulista, filho de um cantor de rádio que chegou a cantar Hebe Camargo, dentre outros, mas que parou com a música por conta da mãe de Mário. Desde pequeno a música estava no sangue do vocalista que começou estudando violão, por aproximadamente 5 anos, e ouvia Jorge Ben, Cartola, Nelson Cavaquinho, Ismael...
Outros estilos também influenciaram na formação de Mário Sérgio, uma das bandas que o influenciaram foi Deep Purple.
Por volta dos 18 anos o cavaquinho passou a ser sua nova paixão e o instrumento que o acompanhou por tantos anos.


Mário Sérgio e o Fundo de Quintal


Em 1990, o Grupo Fundo de Quintal se preparava para sofrer mais uma mudança em sua formação original, a dupla de linha de frente, Arlindo Cruz e Sombrinha, começava a se preparar para seguirem carreira fora do grupo. O primeiro a sair foi sair do grupo foi Sombrinha e Mário Sérgio que já tinha amizade com os integrantes e morava perto da quadra do Cacique de Ramos na época, foi o mais cotado para assumir a vaga. Mário Sérgio já cantava o repertório de cor e salteado e decidiu assumir essa grande responsabilidade.
O primeiro show de Mário Sérgio em 25 de janeiro de 1990, na Quadra da Rosas de Ouro, em São Paulo. 

"Uma coisa eu tinha na cabeça, eu não posso deixar a qualidade cair" disse Mário Sérgio.

Mário seguiu por 18 anos a frente do FDQ e depois saiu para tentar fazer carreira solo. Felizmente retornou após um período, ocupando novamente o posto de vocalista e cavaquinista que vinha sendo ocupado por Décio Luiz e Flavinho Silvio.

Composições de Mário Sérgio

Além da qualidade vocal e sua batida sincopada, um dos símbolos dos partidos cantados pelo curto, como menina da colina, vem me dar um beijo, dentre outros, Mário Sérgio tinha outra habilidade excepcional: compor. Mário compôs músicas que serão eternamente cantadas nas rodas de samba, como:

  • Amor dos deuses
  • Fada
  • Brasil nagô
  • Nas ondas do Partido
  • Rio sem água
  • Menina da Colina
  • Sem rancor
  • Um lindo sonho
  • Canto pra velha guarda
  • Não tão menos semelhante 
  • Chega pra sambar
  • Frasco pequeno
  • dentre outras 

O dia 29 de março, será lembrado como um dia triste para o samba :(





Dolores Marques

Recebi esses dias um material de divulgação da cantora Dolores Marques, uma cantora de São Bernardo do Campo, cidade do ABC Paulista, uma terra onde ainda se pode encontrar, nas comunidades de samba da região, aquele samba de qualidade.
capa do cd da cantora dolores marques


Primeiras Impressões

Examinando o material, me deparei com uma voz de timbre único, marcante e que me parece trazer um sotaque que não consigo descrever.
O que me chamou atenção foi a opção por uma única voz em todas as músicas, à la Maria Rita, dispensando vozes de apoio (backing volcals). Acho essa estratégia um pouco arriscada para ser utilizada no álbum todo, pois exige que a cantora busque fazer variações vocais toda hora para que a música não se torne cansativa.

O repertório foi bem escolhido, composto por músicas de Chico Maneiro, Diego Gigante, Edmilson Mimo e Osvaldinho da Cuíca. Destaco Altar da Consciência e Doce Mistura que tem uma levada bem brasileira.


Qual é a marca de Dolores Marques?

É muito pretensioso classificar o samba de alguém. Como Sombrinha disse uma vez, quando pedi a sua opinião sobre um samba meu: "quem sou eu pra falar do seu samba?". Bom se ele que é um dos compositores que mais admiro preferiu não dar nota no meu samba, eu também preciso não partir para esse lado, vou descrever as características principais:

O samba proposto não enfatiza muito a percussão, a cozinha funciona redondinha, mas nada de paradinhas com o pandeiro ou surdo em destaque, já as cordas, em conjunto com o sopro, passeiam com arranjos que me lembraram a instrumentação de sambas de outrora.

Definindo em uma palavra, é um samba elegante.


Se eu indico Dolores Marques?

Sim. O samba da Dolores tem passeia com elegância entre o samba de raiz e o samba bom para o público que ouve MPB.
Longe de um samba de empolgante, de roda, as músicas do Álbum "Agora, eterno presente" têm um estilo indicado para teatros e outros espaços com boa acústica para que se possa escutar cada arranjo dos músicos que a acompanham.

Resumindo, é bom saber que a chama não se apagou.



Luz da Inspiração de Candeia



A mente se une à alma,
A calma reflete amor.

Esses são versos imortais da Luz da Inspiração de Antônio Candeia Filho. Que cantava um samba divino e que ficará para sempre harmonizando na mente de quem aprecia um bom samba.

Grandes Samba de Candeia

Antônio Candeia, começou a fazer músicas na adolescência. Compôs seu primeiro samba enredo com Altair Prego, em 1953. Nesse ano, cantando Seis Datas Magnas, a Portela fez a façanha de obter nota máxima em todos os quesitos.
Candeia também é autor de sambas memoráveis como:

  • Testamento de Partideiro
  • Não tem Veneno
  • Olha o Samba Sinhá
  • Peixeiro Grã-fino
  • Samba da Antiga
  • Filosofia do Samba
  • e tantas outras
O Meu Samba é Roots hoje traz o clássico Luz da Inspiração. Confira



A chama não se apagou

Morre Jair Rodrigues


Parceiro de Elis Regina, Alcione e tantas outras divas da música brasileira, o cantor Jair Rodrigues nos deixou hoje, ao 75 anos.
Conhecido pelo jeito irreverente, ele que nasceu em Igarapava, interior de São Paulo, começou sua carreira nos anos 1950.
O primeiro álbum veio em 1963 "o samba como ele é", mas foi com a música Deixa isso pra lá que trouxe a projeção que Jair Rodrigues esperava.
O cantor morreu por volta das 9h30, desta quinta, em sua residência em Cotia.
A causa da morte ainda não foi confirmada.


A chama não se apagou

Se eu pedir pra você cantar?


Depois de 316 postagens, 273 vídeos em nosso canal, quase mil fãs no Facebook, o Meu Samba é Roots chega ao seu terceiro ano de existência.
O blog que começou com o objetivo de provar que a chama do samba não se apagou, hoje é mais que isso.
Dizer que o Meu Samba é Roots é uma afirmação que traduz uma filosofia, um samba vivo. Samba que, como disse o poeta, é muito mais que os carnavais. Não acaba quarta-feira.
 
Meu samba tem o poder de curar, meu samba é como um milagre de um santo.
A música de Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz que ilustra esse post, traduz muito bem isso.
Se você é do samba, sabe do que estou falando.
Pois, então, faça o favor de cantar.
Se eu pedir pra você cantar, meu bem, você cante.
Cante com Zeca esse partido atrevido.
 
Rumo aos próximos 30 anos de Meu Samba é Roots, pois a chama não se apagou e nem se apagará.
 
 

 

A/C D/C


Não você não está no blog errado.
A/C D/C pode ser mais que uma banda de rock.
No samba o ano é dividido em: Antes do Carnaval e Depois do Carnaval.
Quantos sambas você já não ouvir que as providências serão tomadas depois do carnaval?

Quer um exemplo?
Deixa passar o carnaval de mil novecentos e noventa e nove... (Jorginho do Império)

Há, ainda sambas que relembram o carnaval como o dia mais importante do ano:

- Hoje é manhã de carnaval... (Candeia)
- Mas chegou o carnaval... (Benito di Paula)
- Hoje é o grande dia, vamos todos festejar... (Fundo de Quintal)

Resumindo, o calendário do samba é A/C e D/C.
Abaixo, mais um samba que marca essa data:



A chama não se apagou

Mudou bastante, mas já foi uma família


Samba é cultura e samba é retrato de uma sociedade em determinado período.
Traduzindo: o que antes era: "mas papai não quer deixar, mas papai não quer deixar..."
Hoje pode ser "mas mamãe não quer deixar" ou "vovó não deixar" ou ainda "mas papai e o outro papai não querem deixar".

A coisa hoje mudou bastante, mas já foi uma família.
Fuçando no baú do samba encontrei um samba do Fundo de Quintal que relata que as coisas (há 27 anos atrás) já não eram as mesmas.
A estrutura mudou bastante, mas já foi uma família com pai, mãe, filhos, às vezes até sogra para o desespero do Dicró. E tudo sob o mesmo teto.

Vale o play para curtir esse maravilhoso samba de Arlindo Cruz, Marquinho PQD e Franco: Já foi uma família.


A chama não se apagou
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